Empresário de MT fica em silêncio em CPI e não explica sobre bancar atos golpistas

O empresário Argino Bedin ficou em silêncio durante depoimento à CPI dos Atos Golpistas nesta terça-feira (3). Ele abriu mão até mesmo do pronunciamento inicial oferecido aos depoente, e não respondeu às perguntas dos parlamentares.

Bedin é suspeito de financiar ataques à democracia, como bloqueios em rodovias, após o resultado das eleições de 2022.

Na noite de segunda-feira (2), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli concedeu habeas corpus parcial a Argino Bedin, após pedido da defesa. Pela decisão, ele devia comparecer, mas podia ficar em silêncio para não se incriminar.

“Entendo que o paciente não está dispensado da obrigação de comparecer perante a CPMI. Dessa maneira, defiro parcialmente o pedido de liminar para assegurar ao paciente o direito constitucional ao silêncio, incluído o privilégio contra a autoincriminação, para não responder, querendo, a perguntas potencialmente incriminatórias a ele direcionadas, bem como o direito de ser assistido por seus advogados e de comunicar-se com eles durante sua inquirição, garantindo-se a esses todas as prerrogativas previstas na Lei”, afirmou Toffoli.

Dois requerimentos foram apresentados à CPI para convocação do empresário como testemunha. Todos da base do governo. Um da relatora da CPI, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), e outro do deputado Carlos Vera (PT-PE).

Em seu requerimento, Vera justificou que Argino Bedin era depoente-chave para a CPI , uma vez que é investigado como possível financiador dos atos golpistas em inquérito no STF.

“Conhecido no estado do Mato Grosso como ‘pai da soja’, Argino Bedin é um latifundiário sócio de pelo menos nove empresas e teve as contas bloqueadas por decisão do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Vera.

A decisão citada por Vera é de novembro do ano passado. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio das contas bancárias de Bedin e de outras 42 pessoas físicas ou jurídicas por suspeita de financiamento de atos ilícitos e antidemocráticos como os bloqueios de rodovias em todo o país após o resultado das eleições de 2022.

Relação com Lawand Júnior

O coronel do Exército Jean Lawand Júnior foi chamado para prestar depoimento à CPI dos Atos Golpistas após a descoberta de mensagens entre ele e o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.

Na ocasião do depoimento, em 27 de junho, Lawand Júnior afirmou que o sogro era dono de um imóvel alugado pela empresa Mcam Brasil. Empresa essa que, segundo a relatora da CPI, é ligada a investigados por financiar os atos de 8 de janeiro.

Questionado por Eliziane, na época, sobre os donos da Mcam, o coronel disse desconhecer o quadro societário. “Nós não somos donos da empresa, somos donos do imóvel locado pela empresa”.

Eliziane disse, durante a audiência, que a Mcam Brasil tem “ramificação” em uma cadeia societária de empresas e um dos proprietários desse conjunto de empresas é Argino Bedin, e a filha dele, Roberta. Ambos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por financiar os atos golpistas.

“Agora, o meu questionamento foi exatamente na linha de que, nessa empresa, na construção, por exemplo, do grupo de sociedade, há proprietários, há sócios que hoje constam do inquérito que trata da questão dos financiamentos dos atos do 8 de janeiro. Daí, portanto, a razão de eu fazer o questionamento junto ao senhor”, concluiu a relatora no dia do depoimento de Lawand Júnior.

Perfil

Argino Bedin nasceu no Rio Grande do Sul, mas foi criado no Paraná. Ele chegou na cidade de Sorriso, no estado do Mato Grosso, em 1979 para trabalhar em 700 hectares de terra comprados pelo pai dele. Em 2015, Bedin e a família tinham aproximadamente 15,5 mil hectares de terras.

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Redação MT Política

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